Matéria da edição Nº124 - Junho/2001
Foto: Arquivo
Zero Km
Clio 1.0 ganha mais potência com motor 16 V
Segundo veículo da linha de montagem da Fábrica Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), o Clio Sedan recebe o reforço da versão 16 válvulas para a motorização 1.000 cc, a mais vendida no País

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Clio 1.0 ganha mais potência com motor 16 V

Segundo veículo da linha de montagem da Fábrica Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), o Clio Sedan recebe o reforço da versão 16 válvulas para a motorização 1.000 cc, a mais vendida no País

Lançado em setembro de 2000, o Clio Sedan veio completar e ampliar a linha de modelos Renault produzidos no Brasil, e será um dos modelos estratégicos para o crescimento da marca no País.
Para 2001, a empresa espera registrar uma participação de aproximadamente 6,5% , superando 100 mil unidades, o que representa um crescimento de volume de aproximadamente 100% em relação ao ano passado e a linha Clio terá um papel fundamental para que a empresa atinja esses objetivos. A Renault pretende comercializar neste ano de 2001, pelo menos 22 mil unidades do Clio 1.0 16V e 20 mil do Clio Sedan 1.0 16V.

Novo motor
No começo de março o Clio ganhou motorização 1.0 litro com 16 válvulas (70 cv), produzida na fábrica da Renault em São José dos Pinhais (PR), que passou a equipar o Clio nas versões sedan e hatch. O Clio Sedan é comercializado com a motorização 1.0 16V ou na versão com motor 1.6 16V - também nas opções RN e RT.
O motor 1.0 16V, denominado D4D, também produzido pela Mecânica Mercosul - fábrica de motores da Renault localizada no Complexo Industrial Ayrton Senna - adota uma série de tecnologias.
O motor 1.0 16V da Renault tem 999 cm³ de cilindrada e desenvolve 70 cv de potência a 5.500 rpm (11 cv a mais do que o 1.0 com 8 válvulas), com torque de 9,5 mkgf a 4.200 rpm - sendo que 90% deste torque está disponível nas faixas de maior utilização, a partir de 2.700 rpm.
Com o novo motor, o Clio atinge velocidade máxima de 157 km/h (contra os 144km/h do motor 8V) e acelera de 0 a 100 km/h em 14,5 segundos (3,7s mais rápido do que o Clio 8V). Já o sedan chega a 160 km/h e leva 15 segundos para chegar a 100 km/h.
Segundo a montadora francesa, uma das maiores virtudes do novo motor 1.0 de 16V da Renault é a economia de combustível que ele proporciona, principalmente na estrada. Na cidade, o consumo médio do Clio é de 13,4 km/l, o mesmo do motor de oito válvulas. Mas na estrada, com o novo motor, o Clio consome 19,7 km/l, diante dos 18,5 km/l do carro equipado com o motor 8V. O Clio Sedan apresenta o mesmo desempenho da configuração hatch em termos de consumo.
O motor D4D é o primeiro propulsor da Renault no Brasil a contar com acelerador eletrônico. A aceleração do veículo é feita por meio de sensores eletrônicos, eliminando a utilização do cabo do acelerador.
O cabeçote do motor D4D é produzido em liga leve de alumínio e adota o sistema de fluxo cruzado. Os balancins são roletados, tecnologia que diminui significativamente os atritos de distribuição, proporcionando, também, uma redução no consumo de combustível.
Para redução de peso, a Renault adotou soluções como a utilização do eixo de comando de válvulas tubular, ao invés de fundido. O suporte dos acessórios do motor é confeccionado em alumínio e não em ferro fundido e o coletor de admissão de ar é de material termoplástico.
O novo motor 1.0 do Clio traz ainda algumas inovações importantes da engenharia automotiva no seu aspecto construtivo, o que acabou resultando não somente em redução de custos para a montagem, como na melhoria geral de desempenho. É o caso do cabeçote do motor, cujos assentos das válvulas já são colocados no momento em que a peça é fundida. Isto, além de eliminar uma operação posterior de usinagem, melhora o fluxo entre os assentos e os dutos de admissão de ar para a câmara de combustão.
Outra novidade em termos do aspecto construtivo aplicado no Clio 1.0 16V é o conceito HMI (conjunto alto do motor integrado), onde todos os componentes da tampa do cabeçote são entregues por uníco fornecedor (neste caso, a Teksid). A solução reduz os prazos de desenvolvimento, e, sobretudo, aumenta a qualidade do motor, uma vez que são reduzidas as operações de montagem. Essa integração também facilita a manutenção do motor.

Manutenção
A primeira revisão ocorre aos 40 mil km (a exemplo do motor 1.6 16V) e as trocas de óleo a cada 20 mil km. As velas de ignição têm durabilidade de 40 mil km e a correia dentada somente é trocada a cada 80 mil km.
O índice de nacionalização dos motores Renault até o final de 2001 deverá ser de 80%. O preço sugerido do Clio Sedan 1.0 16V ficou entre R$ 20.490 na versão RN e R$ 24.490 na versão RT, a mais completa.


Na Oficina
OsPara este teste de manutenção com o Renaut Clio Sedan 1.0 16v, convidamos os técnicos da reparação Carlos e Paulo Kazlauskas, da oficina Tecnocar, ambos certificados pela Ase Brasil, com a supervisão técnica do conselheiro do Oficina Brasil, engenheiro Paulo Pedro de Aguiar Jr.
O modelo cedido pela Renault do Brasil para este teste foi um Clio Sedan 1.0 16V com ar-condicionado, direção hidraulica e sistema imobilizador.
No teste de percurso, o torque do veículo impressionou bastante. Com o capô aberto, a primeira atitude dos técnicos envolvidops nesta avaliação foi a retirada da proteção plástica que recobre o motor. O acesso aos cabos de velas é fácil, apenas deve ser usado um soquete especial para retirar as velas de ignição. No coletor de plástico estão localizados os sensores integrados (Map e sensor temperatura ar) e atrás do coletor a unidade de comando.
Segundo a fábrica da Renault, para se retirar a unidade de comando é necessário retirar o motor, mas com um pouco de trabalho, consegue-se retirar a UCE sem ter de “baixar” o conjunto do motor.
Na avaliação dos irmãos Kazlauskas, existem sensores de fácil acesso como também sensores de dificil acesso, neste último pode-se incluir o sensor de detonação.
A bomba de combustivel é do tipo returneless, ou seja, sem retorno e pressão de 3,5 bar. “A flauta com injetores está localizada exatamente no meio do coletor de admissão. Para se retirar os bicos injetores o reparador vai ter que trabalhar com muito cuidado. Já o corpo de borboleta está bem no centro do coletor e para fazer uma limpeza a dificuldade será enorme apenas para se tirar do local onde está localizado”, comenta Carlos.
O filtro de combustivel está perto do tanque com proteção apenas para o duto de alimentação.
Os freios apresentam discos na dianteira e tambor na traseira. Para Paulo, todo conjunto dos freios já é bem conhecido, não oferecendo maiores dificuldades para o reparador.
O motor não tem correia dentada, e sim corrente de distribuição. As demais correias apesar do pouco espaço não apresentam dificuldades para o profissional de oficina.
Um fato curioso é que o conjunto de escapamento possui apenas catalizador e silencioso (o tamanho do catalizador foi bem reduzido).
A suspensão apresenta uma manutenção simples de ser efetuada. Como na maioria dos veículos, com a ajuda de um elevador fica bem mais fácil (principalmente se for efetuado a troca do coxim do câmbio).
A injeção eletrônica do Clio é a 5 NR da Magneti Marelli. O corpo de borboleta, a tampa de válvula e o coletor são totalmente de plástico. Como a tampa de válvula é de plástico existe nas velas um retentor de borracha para se efetuar o aperto, pois se não pode ocorrer vazamento na junta.
A unidade de comando tem tecnologia hibrida, com conector de 96 vias e multisequencial (possibilidade de comunicação para via CAN). Existe uma conexão, o computador de bordo, que realiza o diagnostico de todos os sistemas interligados do veículo (injeção eletrônica, ABS, controle de tração, imobilizador e painel).
Agora o computador de bordo (Body computer) passa controlar todas as informações. Quando o carro apresentar um problema, a diagnose será feita através do Body computer.
“Este conjunto que gerencia o veículo é totalmente novo, portantoprocure se atualizar”, orienta o engenheiro Paulo Aguiar.
Tecnocar - Fone: (11) 6341-1163


Ficha Técnica
Clio Sedan 1.0 16V

Carroceria monobloco, 3 volumes, 5 portas
Motor - D4D, transversal, 4 cilindros em linha, 16 válvulas
Cilindrada - 999 cm3
Diâmetro x curso - 69 mm x 66,8 mm
Taxa de compressão - 10:1
Potência máxima - 70 cv @ 5.500 rpm
Torque máximo - 9,5 mkgf @ 4.200 rpm
Alimentação - Injeção Eletrônica Multiponto Sequencial
Suspensão dianteira - McPherson, com triângulo inferior, amortecedores hidráulicos telescópicos com molas helicoidais e barra estabilizadora
Suspensão traseira - Rodas semi-independentes; molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos verticais com barra estabilizadora
Câmbio - Relações de marcha: - 3,72:1; - 2,05:1; - 1,40:1; - 1,03:1; - 0,79:1; - 3,54:1; Diferencial - 4,9:1.
Tanque de combustível - 50 litros
Peso (em ordem de marcha) - 935 kg
Entre eixos - 2.472 mm
Comprimento - 4.150 mm
Altura - 1.435 mm
Largura (com e sem retrovisores) - 1.639 mm/1.940 mm

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