Matéria da edição Nº113 - Julho/2000
Texto: Válter Ravagnani
Foto: Doutor i.e.
Sensor de Temperatura do Líquido de Arrefecimento - CTS
O conhecimento do princípio de funcionamento e das particularidades que o envolvem é imprescindível na realização de seu teste

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O CTS é constituído de um resistor sensível à temperatura (termistor) do tipo NTC (Negative Temperature Coefficient ). Sua resistência elétrica se altera com a variação da temperatura do líquido de arrefecimento do motor. A UCE através de um circuito interno, alimenta o sensor com uma tensão de referência de aproximadamente 5 volts VDC. O sinal do sensor corresponde a queda de tensão provocada pelo elemento resistor. Quando o motor está frio a resistência elétrica do CTS é alta; portanto a tensão (queda de tensão) medida pela UCE é alta*. Com o motor aquecido, a resistência do elemento sensor é baixa, por isso é medida uma baixa* tensão entre o sensor e a massa.
A UCE utiliza a informação da temperatura do líquido de arrefecimento principalmente para fazer os cálculos da massa de ar admitida e do avanço da ignição. Além disso, em alguns veículos como o pálio 1.3 16v (motor fire), Ford Ka e Fiesta 1.0/1.3 (motor Endura), o sinal do CTS é utilizado pela UCE para o controle do ventilador de arrefecimento (ventoinha). Em outros como o Kadett EFI (álcool) para o comando do sistema de partida a frio.
Grande parte dos sensores de temperatura - CTS, possuem um único resistor NTC que informa as variações de temperatura para a UCE. Porém alguns sensores como o do Gol MI 1.0, possuem dois elementos sensores (independentes) na mesma carcaça. Um para a UCE e o outro para o painel de instrumentos.
Na maioria dos sistemas de injeção eletrônica caso ocorram problemas no circuito do sensor de temperatura (circuito aberto ou curto-circuito), a UCE assume um valor fixo Pré-programado (normalmente próximo a 100ºC) para o parâmetro temperatura do motor (recovery**).

* Vide a tabela do sinal do CTS em função da temperatura do motor da dica - 1.
** Recovery: Procedimento utilizado pelas centrais eletrônicas (UCEs) de sistemas de injeção digitais para substituir o valor enviado pelo sensor danificado (em curto-circuito ou circuito aberto) por um valor pré-programado.
Nos sistemas MOTRONIC MP 9.0 (Gol 1000 mi 8V) e IAW 1AVS (Gol / Parati 1000 mi 16V), por exemplo, quando a UCE detecta falha no circuito do sensor de temperatura da água-CTS (em curto-circuito ou circuito aberto), grava o código de defeito em sua memória e assume a temperatura de 100ºC como padrão. Portanto se o CTS for desligado, o veículo continuará funcionando (com um rendimento um pouco inferior) até que o proprietário leve-o a uma oficina especializada.

Testando um sensor de temperatura do líquido de arrefecimento - CTS
Na realização do teste de um sensor de temperatura do líquido de arrefecimento, observe os seguintes detalhes:
• Certifique-se da boa condição da carga da bateria e alimentaçãoda UCE;
• Verifique a qualidade do líquido de arrefecimento e o bom estadode funcionamento dos componentes do sistema;
• Sangre o sistema de arrefecimento. A formação de bolhasde ar em contato com o sensor de temperatura da água provoca falhas nofuncionamento do motor e no acionamento da “ventoinha”;
• Retire o sensor de temperatura da água e limpar sua carcaça.
• Meça a tensão de alimentação do sensor e oaterramento de seu circuito.
• O sinal do sensor deve ser medido em tensão de corrente contínuaVDC. A chave de ignição deve estar ligada. O teste só podeser considerado conclusivo se for efetuado no momento em que houver falha.

src=http://www.oficinabrasil.com.br/edicoes/Julho_2000/dica_lampada.jpgDica - 1 - Exemplo de teste do sensor de temperatura do líquido de arrefecimento - CTS dos sistemas Motronic mp 9.0 e iaw 1avs (que equipam os veículos gol/parati MI 1.0 16 v e gol MI 1.0 8v).

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src=http://www.oficinabrasil.com.br/edicoes/Julho_2000/dica_lampada.jpgDica - 2 - Cuidado com inversões entre conectores.
No dia-a-dia é comum que profissionais desatentos provoquem falhas no funcionamento do motor invertendo:
• O conector do CTS com o da válvula de ar adicional - VAS no tempra16v ( até 94).
• O conector do CTS com o do sensor de detonação nos veículosVolkswagen MI 1.6/1.8 e 2.0.

(*) Válter Ravagnani é autor do manual prático de diagnóstico e reparo em injeção eletrônica Doutor-ie. As informações, ilustrações e testes desta matéria foram retiradas desses manuais. Conheça o software Doutor-ie. Maiores informações sobre os produtos Doutor-ie, ligue para (48) 334-2166 (com Nice) e-mail: doutorie@zaz.com.br - site: www.injetronic.com.br.

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