Matéria da edição Nº113 - Julho/2000
Foto: Arquivo
Brava 1.6 16V: bom de oficina
Bonito, veloz e com bom preço, o Fiat Brava, lançado pela Fiat no final do ano de 99, ainda não emplacou no mercado, no entanto, para as oficinas mecânicas, esse modelo tem tudo para encantar o consumidor

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Depois da expectativa causada no Salão do Automóvel de 1998, quando foram apresentados os italianos Bravo e Brava, com promessas de serem trazidos para o mercado brasileiro, a maxi-desvalorização da moeda brasileira inviabilizou a importação, adiando esse lançamento até setembro de 1999, quando foi apresentado o Brava 1.6 16V, nas versões SX e SLX, montados nas mesmas linhas de produção do Fiat Marea, em Betim (MG).
Embora seja um modelo com desenho que agrada e desempenho que nada fica devendo a seus concorrentes mais diretos, o Fiat Brava ainda não foi descoberto pelo mercado. Um dos modelos mais vendidos no mercado italiano (é o segundo em vendas da marca Fiat, perdendo apenas para o Punto), no Brasil, o Brava ainda não superou seus concorrentes mais diretos, ocupando a terceira posição nesta disputa direta com o Astra (GM) e o Golf (VW).
O Fiat Brava é a versão hatchback da família Marea, assim, este modelo tem as mesmas características de design do top de linha da montadora italiana, com a vantagem de agradar tanto aqueles que preferem uma aparência clássica como os que desejam uma versão mais esportiva (para esses, a Fiat dispõe também do Brava na versão HGT com motor 1.8 16V).

Motor
O modelo cedido para este teste junto aos profissionais da reparação automotiva foi o Brava SX 1.6 16V.
As duas versões (SX ou SLX) são equipadas com o motor de 1.580 cm3, 16 válvulas, que geram 99 cv a 6.000 rpm e um torque de 14,8 kgm a 4.750 rpm. Este motor sofreu uma reprogramação no sistema de injeção e ignição com alteração de alguns parâmetros e os modelos mais recentes desenvolvem 106 cv nos mesmos 6.000 rpm e o torque foi elevado para 15,1 kgm.
O motor possui cabeçote em liga de alumínio com quatro cilindros, quatro válvulas por cilindro, acionadas por correia dentada, alimentado por injeção eletrônica de combustível multiponto sequencial Weber-Marelli, e tem como principal característica uma faixa otimizada de rendimento entre os 3.500 e 4.500 rpm. Este propulsor trabalha melhor com as câmaras sempre cheias, assim é normal esticar as marchas acima dos 4.800 rpm e, também, utilizar constantemente o câmbio para vencer um aclive ou realizar uma ultrapassagem, elevando o regime de giro do motor perto do ponto de corte da injeção, que ocorre acima dos 6.000 rpm.

Estável e confortável
O Fiat Brava 1.6 16V tem excelente comportamento e proporciona uma rodagem tranquila e macia. Colaboram para este resultado as rodas de aro 14 com pneus 185/65 e a suspensão bem ajustada e equilibrada para o tipo de pavimentação encontrado pelo País.
O Brava vem equipado com suspensão tipo McPherson no eixo dianteiro, rodas independentes, braços oscilantes inferiores transversais e barra estabilizadora, auxiliado por amortecedores hidráulicos, telescópicos de duplo efeito e mola helicoidal. Na traseira, sistema de rodas independentes e braços oscilantes e barra estabilizadora, com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos, telescópicos de duplo efeito.
O sistema de freios não apresenta nenhuma novidade e oferecem boas condições de frenagem, com freios a disco na dianteira e a tambor com lonas autocentrantes na traseira.

Transmissão e Direção
A embreagem do Brava é semelhante aos demais modelos da família Marea, com sistema de pedal com ajuste auto-regulável e câmbio mecânico de cinco marchas.
Já a direção é auxiliada por sistema hidráulico e o volante incorpora tecnologia para absorção de energia, transmitindo pouca ou nenhuma vibração da rodagem.


Na Oficina
Para participar deste teste de manutenção com o Fiat Brava 1.6 16V SX, o Oficina Brasil convidou o empresário da reparação automotiva e piloto de competição Carlos Henrique Castrale, e o mecânico e preparador de motores Evaldo Cursino Lins, da Racequip Performance.
Castralle adianta que o Fiat Brava oferece bom espaço de trabalho e componentes de fácil acesso para os serviços de manutenção. “É interessante que além de ser uma mecânica moderna, você tem um compartimento do motor bem espaçoso, centralina bem localizada, com facilidade para conexão dos módulos para um diagnóstico no sistema ou teste dos componentes”, explica.
Piloto experiente, ele destaca o reforço estrutural existente atrás das colunas dentro do cofre do motor: “Aqui atrás existe um tipo de um reforço nas colunas. Isso foi tirado de rally; esses carros de rally com tração dianteira quebravam muito a coluna ou prejudicavam a carroceria. Eles esconderam, mas você percebe que um tipo de uma barra de reforço, bom para proteção em caso de colisão frontal e para prevenir que essas colunas saiam da geometria do veículo”, orienta Castralle.
Na parte de freios e suspensão os dois técnicos também não encontraram qualquer dificuldade de manutenção e destacam a eficiência dos freios a disco na dianteira e lonas na traseira, além da boa estabilidade e do comportamento e dirigibilidade do Brava, mesmo em curvas mais acentuadas. “Eles optaram por utilizar pneus série 65, provavelmente porque como a suspensão é dura, mais firme, ele nem tem série 70, que é uma série mais alta e tornaria o carro mais ‘mole’, nem uma série 60, que seria para um carro mais esportivo, mas com a suspensão ‘macia’ que você precisaria endurecer no pneu. Essa foi uma solução legal”, destaca o piloto.

Racequip Performance (11) 6955-5424


Ficha Técnica
src=http://www.oficinabrasil.com.br/edicoes/Julho_2000/zeromot_jul.jpgMotor - Transversal, dianteiro, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, com duplo comando no cabeçote.
Diâmetro x curso 86,4 mm x 67,4 mm
Cilindrada total 1.480 cm3
Taxa de compressão 9,3:1
Potência máxima 99 cv a 6.000 rpm
Torque máximo 14,8 a 4.750 rpm
Injeção - multiponto, seqüencial
Câmbio
Relações de transmissão - 1ª - 3,909; 2ª - 2,238; 3ª - 1,520; 4ª - 1,156; 5ª - 0,872; Ré - 3,909; Diferencial - 3,933
Sistema de freios
Dianteiro - a disco ventilado (diâmetro de 257 mm) com pinça flutuante
Traseiro - a tambor (diâmetro de 228 mm) com sapata autocentrante e regulagem automática de folga.
Suspensão
Dianteira - MacPherson com rodas independentes, braços oscilantes inferiores transversais e barra estabilizadora, com amortecedores hidráulicos, telescópicos de dupla ação e molas helicoidais.
Traseira - Rodas independentes, braços oscilantes longitudinais e barra estabilizadora, com amortecedores hidráulicos, telescópicos de dupla ação e molas helicoidais.
Rodas
6,0 x 14” em liga leve com pneus 185/65 R14”
Pesos e medidas
Em ordem de marcha 1.140 kg
Carga útil (com condutor) 420 kg
Comprimento x altura x largura (mm) 4.187 x 1.413 x 1.741
Entre-eixos (mm) 2.540
Desempenho

Velocidade máxima 184 km/h

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