Matéria da edição Nº205 - Março de 2008
Texto: Ronie Dotzlaw
Foto: Warner Bros Pictures/Divulgação
Parte 3 - Suspensão dianteira: outros sistemas, mas a mesma função

Finalizando as três partes do material sobre suspensão dianteira, descreveremos outros sistemas utilizados atualmente por algumas montadoras. São sistemas tão específicos que necessitam de uma edição para cada um deles.

Entretanto, é importante conhecê-los, pois após a abertura das importações, vários modelos de motocicletas desembarcaram no Brasil e, apesar de chegarem em pouca quantidade, precisam de mão-de-obra qualificada para a sua reparação.

...A BMW é a montadora que mais inova ao apresentar novos sistemas de suspensão dianteira. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, ela tem realizado pesquisas no intuito de desenvolver um sistema de suspensão próprio. Contudo, outros fabricantes não ficam atrás e constantemente mostram inovações tanto nos sistemas consagrados quanto em novos arranjos. Vamos conhecer alguns deles a seguir.

Suspensão Earles

Desenvolvida pelo engenheiro britânico Ernest Earles, foi aplicada de 1955 a 1969 em todas as motocicletas BMW que possibilitassem o uso do sidecar (aquele carrinho que é instalado ao lado da motocicleta).

Sua construção era muito simples, consistia em um garfo guia fixado no chassi por meio da caixa de direção, em que uma balança é presa na parte inferior desse garfo, nessa balança ficam acoplados dois conjuntos de amortecedores com molas e a roda dianteira.

O direcionamento da moto é feito pelo garfo guia, no qual está fixado o guidão, e a suspensão fica a cargo dos conjuntos de amortecedores e molas, que ligam a balança dianteira até o centro do garfo, localizados um de cada lado da roda dianteira.

Sua manutenção é simples, exige apenas a lubrificação das partes móveis, substituição de buchas ou rolamentos, quando necessário, comprimento das molas e distância entre elos e verificação de vazamentos dos amortecedores, que possibilitam o seu recondicionamento.

Suspensão Telelever

Este sistema também é conhecido como Saxon-Motodd, nome do fabricante inglês que o desenvolveu no início de 1980 a pedido da BMW, porém, só em 1993 a suspensão Telelever passou ser parte integrante das motocicletas da marca alemã. Sua grande vantagem é a redução no mergulho da frente da motocicleta em freadas fortes, possibilitando uma tocada mais esportiva sem sustos para o piloto. Entretanto, nada é perfeito, pois justamente a sua firmeza de acionamento prejudica a sua aplicação no fora-de-estrada.

Esta suspensão tem como principal característica sua balança central, em formato de A, sendo que sua base é ancorada no bloco do motor e o vértice é ligado ao suporte do pára-lama dianteiro, que também funciona como equalizador dos guias de suspensão. Nessa balança também é fixado o amortecedor que, em conjunto com a mola, é conectado ao subchassi dianteiro.

A roda, por sua vez, é presa a duas guias de suspensão, semelhantes às bengalas hidráulicas, que servem para o condutor ter controle da trajetória da motocicleta, por meio do guidão acoplado à mesa superior, e direcionar o movimento vertical da roda dianteira, quando a moto estiver trafegando.

Sua manutenção exige mais conhecimento, mas nos casos de extrema necessidade, o reparador deve desmontá-la, marcar exatamente onde cada peça estava localizada, examinar a lubrificação e estado geral de buchas e rolamentos e averiguar, principalmente, as condições do amortecedor, sempre verificando o manual de reparação antes de remontar o conjunto, pois há regulagens em eixos e rolamentos que devem ser obedecidas.

Suspensão Duolever

Este é o modelo de suspensão dianteira mais moderno utilizado pela montadora alemã foi desenvolvido pelo engenheiro e piloto escocês Norman Hossack, começou a ser usado em 2003 e, em 2007, passou a ser aplicada na linha K.

A construção desse sistema visa eliminar as falhas do Telelever e do sistema hidráulico convencional, além de resumir as suas qualidades em um único sistema.

De construção complexa, esse sistema possui vários links (ligações) entre seus componentes, a maioria das conexões é feita por rolamentos. A fixação da roda é feita em um garfo móvel, que por sua vez é fixado em duas estruturas centrais responsáveis pelo suporte do conjunto amortecedor e mola. O direcionamento da moto fica a cargo do guidão, que unido a dois links, ancorados no garfo, garantem a trajetória da motocicleta determinada pelo condutor.

Sua manutenção é muito complexa e, por isso, qualquer trabalho nesse sistema deve ser realizado com o auxílio do manual de reparação do fabricante.

Suspensão Springer

Modelo utilizado em motocicletas americanas, principalmente da marca Harley-Davidson®. Este sistema recebe o nome Springer, que significa mola, pelo fato de suas molas ficarem aparentes.

Essa frente consiste em dois garfos, um principal e outro auxiliar, que são unidos por um par de links inferiores, onde é fixada a roda dianteira. Há dois pares de molas, um de compressão e outro de retorno, que agem sobre o garfo auxiliar, encarregado de receber a movimentação da roda.

O guidão da motocicleta é instalado em suportes que são parafusados na mesa superior, permitindo a condução da moto. Durante a condução, suas características mais marcantes são a firmeza de funcionamento e o fato da frente da motocicleta subir em freadas, contrariando os sistemas hidráulicos, que mergulham à frente nas frenagens.

A manutenção desse tipo de suspensão se limita a lubrificação de seus rolamentos e buchas, verificação de suas condições de trabalho e observação das condições de seu amortecedor. Apenas na montagem, o reparador deve olhar com atenção o torque recomendado pelo fabricante, evitando travamentos ou folgas prematuras.

Suspensão Upside Down (invertida)

...Com exceção da suspensão hidráulica convencional, este é o modelo mais usado nas motocicletas de série, sendo aplicado desde pequenas Scooters até grandes estradeiras, passando pelas motocicletas esportivas on-road e off-road.

Confirmando o nome recebido &ndash Upside Down quer dizer literalmente de cabeça para baixo &ndash a grande vantagem desse sistema em relação ao convencional está no fato de o peso sustentado ser menor, e isso somado ao maior número de válvulas internas faz o sistema absorver de maneira mais eficiente as irregularidades do piso, permitindo uma condução mais precisa.

Esse é também o sistema que tem a maior variedade de fabricantes e modelos, por isso, apesar de simples, qualquer reparo requer atenção e informações precisas sobre o modelo que está sofrendo manutenção. Mas, no geral, sua reparação segue um roteiro muito parecido com o aplicado na suspensão hidráulica convencional.

Outros sistemas

A moto é o veículo mais versátil que dispomos, pois no mesmo conceito podemos encontrar motocicletas de uma até seis rodas, para o lazer ou trabalho. Por isso, e pelo fato de a maioria dos fabricantes terem uma grande quantidade de modelos em produção, encontramos vários sistemas no mercado, desde a suspensão dianteira do tipo garfo telescópico amortecido hidraulicamente até os sistemas mais curiosos, como a suspensão dianteira com monobraço, utilizada na Yamaha GTS 1000 e na Bimota Tesi, sem falar no sistema de quatro braços aplicado no protótipo Chrysler TOMAHAWK e outros criados por fabricantes independentes.

Devido à diversidade de modelos, voltaremos ao tema em futuras edições para abordarmos cada sistema de maneira mais específica. Até lá.

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