Matéria da edição Nº196 - Junho de 2007
Texto: Carlos Napoletano
Você sabe o que é EBD?

Antes de falar no EBD - Electronic Braking Distribution e verificar seu funcionamento, vamos relembrar algumas informações sobre as válvulas corretoras de pressão dos freios das rodas traseiras, utilizadas na maioria dos veículos atuais. Já, que junto com o ABS o EBD é uma evolução dessas válvulas corretoras, assim poderemos entender o porquê de sua introdução na indústria automobilística.
Em uma frenagem normal, um veículo que possua uma distribuição de peso ideal sobre seus eixos, sofre transferência de 70% desse peso para as rodas dianteiras e 30% para as traseiras devido à inércia. Em alguns tipos de veículos, tais como picapes e vans, essa desproporção é ainda maior.

Com um peso muito maior sobre o eixo dianteiro, é evidente que, se enviarmos a mesma pressão hidráulica dos freios das rodas dianteiras para as rodas traseiras, a tendência ao travamento dessas últimas será muito maior devido ao pouco peso sobre elas durante uma ação de frenagem.
A ocorrência de travamento das rodas de um veículo é indesejável, sejam elas dianteiras ou traseiras, pois levará o motorista a perder o controle do veículo, possibilitando um acidente devido ao comprometimento da dirigibilidade. Para evitar esse tipo de situação, nos anos 80, o ABS foi desenvolvido com a finalidade de não permitir o travamento das quatro rodas, preservando assim, o controle direcional do veículo por parte do motorista. (figura acima)
Porém, o comportamento das rodas traseiras durante uma frenagem, é totalmente diferente das rodas dianteiras devido à transferência de peso já mencionada. Para compensar esta diferença foram desenvolvidas pela engenharia dois modelos de válvulas corretoras de frenagem:

1. Válvulas corretoras de frenagem em função da pressão aplicada aos freios;
2. Válvulas corretoras de frenagem em função da carga sobre o veículo.

As válvulas sensíveis à pressão têm corpos sextavados, são instaladas geralmente no cilindro mestre de freio do veículo e contam com seu valor de pressão marcado externamente. Esse valor indica qual a pressão de corte da válvula e o ponto em que ela começa a reduzir sensivelmente a pressão direcionada ao freio traseiro. Quanto maior a pressão exercida sobre o pedal de freio menor a pressão liberada para as rodas traseiras, já, que a distribuição de peso se altera cada vez mais de acordo com a violência da frenagem, evitando até certo ponto, o travamento dessas rodas. Como o seu valor de pressão é estudado em função do peso, velocidade, área de atuação dos cilindros, entre outros., sua substituição pelo valor original é muito importante.

As válvulas sensíveis à carga são um passo adiante em matéria de controle de pressão de frenagem, uma vez que elas possuem uma mola ligada ao chassi que muda a área da válvula em função da inclinação da carroceria por estar mais ou menos carregada. Essa válvula não possui um valor de corte fixo, mas sim variável, sendo mais eficaz que o sistema anterior. Quanto mais pesado estiver o veículo, mais pesado estará o eixo traseiro, inclinando menos a carroceria, e conseqüentemente, mais pressão passará para as rodas traseiras, tornando a frenagem mais efetiva.

Localização do EBD
A fim de controlar com mais atenção o comportamento das rodas traseiras, o ideal é utilizar os componentes do sistema de freio ABS. Chegamos então ao EBD. Na verdade, o EBD não é um componente físico do veículo e sim um programa interno do módulo do ABS, que monitora continuamente as rodas traseiras no sentido de mantê-las seguindo um comportamento parecido ao das rodas dianteiras do veículo. Para isso, o módulo ABS utiliza o sinal dos sensores de rodas, do interruptor de freio e dos demais sinais de entrada, para manter a rotação das rodas traseiras dentro de uma faixa aceitável de desaceleração. (Gráfico A)

Podemos perceber que a faixa de controle de EBD é muito mais restrita que a do ABS, pois só atuará quando houver indicação de travamento de alguma roda. Porém, muito antes disto ocorrer, o EBD já estará corrigindo o comportamento das rodas traseiras, fazendo com que se mantenham dentro da faixa padrão para as 4 rodas. Como o sistema é monitorado em função da rotação, ele é muito mais eficiente do que qualquer componente físico externo, como válvulas corretoras de frenagem ou algo semelhante.

O Gráfico B apresenta a comparação entre o desempenho do EBD ao da válvula corretora de frenagem em função da carga da carroceria. Podemos ver, que o EBD mantém a curva de frenagem o mais próximo possível da ideal, enquanto que a LSPV (válvula corretora em função da carga) mantém-se bem abaixo do ideal. É importante notar que o EBD é um sistema específico de monitoramento das rodas traseiras, e, portanto, os veículos equipados com esse programa dispensam totalmente quaisquer válvulas corretoras de frenagem.
É necessário observar também, que caso algum componente do ABS esteja defeituoso e a luz indicadora de falha se acenda, o sistema EBD não funcionará, já que é conectado a ele e utiliza os mesmos componentes. Neste caso, um reparo deverá ser providenciado o mais urgente possível, sob pena de ocorrer travamento das rodas, em especial as traseiras.

Esperamos ter esclarecido algumas dúvidas técnicas sobre o princípio do EBD.

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