Matéria da edição Nº195 - Maio de 2007
Texto: Fonte: SENAI - Por: Andréa Ramos
Saiba mais sobre a injeção eletrônica do Fiat Palio 1.0

 

O jornal Oficina Brasil em parceria com o Senai Ipiranga publica a partir desta edição, uma série de reportagens sobre e tecnologias em injeção eletrônica.
Primeiramente, falaremos sobre os motores da Fiat, são eles Fire para a versão 1.0 – 65cv a gasolina e 66cv na versão álcool - e versão 1.4 (que substituiu o anterior 1.3) de 80cv a gasolina, e 81cv a álcool. "A novidade do Palio atual é referente ao sistema eletroeletrônico, que passou a utilizar Rede CAN - este permite a interligação entre as unidades eletrônicas (figura 1). São quadros de instrumentos que gerenciam eletronicamente o motor e o som automotivo", conta o instrutor do Senai para a linha Fiat, Cláudio Martinasso.

O sistema de injeção
O que difere as atuais versões 1.0 e 1.4 é que a primeira é equipada com cabo do acelerador mecânico, enquanto que no modelo de maior potência, o acionamento do acelerador é eletrônico. O comando de abertura do acelerador eletrônico independe do motorista, tendo como principal vantagem o fato de na hora em que o motorista pisar no acelerador, a unidade faz a verificação dos sinais dos sensores e determina qual a abertura adequada da borboleta, permitindo assim a entrada correta de ar. Outra vantagem é eliminar trancos ao acelerar. Já no modelo mecânico convencional ainda são perceptíveis os solavancos, devida à abertura brusca da borboleta. Porém, o custo com manutenção para o consumidor é bem menor nessa versão. Vale ainda mencionar, que a empresa conseguiu reduzir, no modelo mecânico, os níveis de emissões de poluentes, podendo se igualar nesse sentido, ao modelo de acionamento eletrônico. Isso graças a uma tecnologia que possibilitou adequar à mistura ar/combustível. "Essa é a vantagem de ter uma gama maior de componentes inseridos na injeção eletrônica", diz o instrutor.

Pelo fato de os motores serem flex, tecnologia desenvolvida pela Magneti Marelli – fornecedor Fiat, a troca do tipo de combustível que está sendo usado no veículo é feita eletronicamente por intermédio de um sensor de oxigênio, responsável por monitorar a quantidade de gases que saem dos escapamentos. E assim é gerada uma tensão enviada para o módulo, sendo capaz de reconhecer o tipo de combustível pela concentração de oxigênio. Isso é feito via software, que também determina o ponto de ignição e o tempo de injeção.
A princípio, cabe ao reparador se atentar ao nível do consumo de combustível, isso por meio do scanner de diagnóstico (figura 3). "Esse aparelho dá o parâmetro de leitura da sonda lambda, em que o mecânico deve se atentar em casos de alteração dos valores de funcionamento, sem esquecer também da bóia de combustível", diz Cláudio. O instrutor completa ainda que, quando o motorista vai abastecer o veículo, desliga o carro, e quando liga novamente a chave de ignição, o primeiro componente a informar à central de injeção de que o tanque foi abastecido, é o sensor de nível.

Já ao usuário, a lâmpada denominada luz de anomalia do sistema de injeção - ou lâmpada de diagnose -, instalada no painel do veículo, é que vai sinalizar possíveis problemas. Todas as situações que levam a acender a luz de anomalia do Palio são sempre inerentes as irregularidades na injeção eletrônica.
Ao abastecer o veículo, o módulo leva em torno de 15 minutos para identificar qual é o combustível que está sendo utilizado. Este tempo permite que o combustível que já estava no motor seja queimado, enquanto o novo entra no propulsor e a sonda lambda faça a verificação da diferenciação álcool, gasolina ou a proporção entre os dois. Para a linha Fiat, isso é denominado auto-aprendizado. A luz de anomalias (figura 4) sinaliza defeitos nos vários sensores do motor e é imprescindível para observar anomialias nesses sistemas. Ainda por meio da lâmpada de anomalia é possível detectar disfunções no pedal de aceleração, interruptores de pedal de embreagem, freio, chicote, módulo de injeção e corpo de borboleta.

Os sensores de injeção ficam instalados no bloco do motor ou no coletor de admissão, já o sensor de oxigênio ou sonda lambda (figura 5) fica posicionado no escapamento.

Possíveis avarias dos sensores do sistema são:
O de acelerador por ter potenciômetro duplo ajuda a evitar perda do controle de aceleração do motor. Se porventura houver a perda total, o módulo vai adotar uma rotação continua de 1 200 rpm para que o condutor possa conduzir o veículo até um trecho seguro, ou seja, vai adotar um valor de rotação que mantém o veículo acelerado. No interruptor de embreagem também pode ocorrer um retardamento da desaceleração do motor, podendo o veículo morrer a cada troca de marcha.
A abertura da borboleta é feita pelo módulo eletrônico, por meio da informação do sensor de posição do acelerador. "Também há dois potenciômetros no corpo de borboleta e, se caso houver danos em um, o motor perde 40% de aceleração, mas se a avaria acontecer nos dois sensores, a aceleração aproximada também será em média de 1 300 rpm", completa Cláudio.

A reparação
A manutenção preventiva é regra para todos os veículos. Fazer a inspeção dos filtros de combustível, verificar velas de ignição e o estado do eletro-injetor – nesse caso, se houver a necessidade de limpeza, deve-se usar um ultrassom. Claro que se atentar para a qualidade do combustível é importante para garantir vida útil ao equipamento. "As velas devem ser trocadas conforme recomendação do fabricante e o sistema de injeção deve ser checado a cada 30 000 a 40 000 km", diz o instrutor.
A troca do filtro é importante para evitar danos na bomba.

Curiosidades do sistema
O motor Fire é completamente montado por um sistema robotizado na linha de montagem da indústria de origem italiana.
O regulador de pressão está instalado junto a bomba de combustível. "Na substituição de um novo módulo eletrônico já vem programado 100% para trabalhar no álcool. Mas se houver um outro combustível no tanque é possível utilizar o scanner para fazer o ajuste do combustível, e o auto-aprendizado, é utilizado para a correção do mesmo. Mas é bom lembrar que o sistema faz isso eletronicamente", explica Cláudio. (figura 6)

Ainda no caso da linha Fiat, o sensor de rotação fica instalado próximo à polia do motor, o que facilita o manuseio na hora da substituição da peça. Os sensores de pressão do coletor e o de temperatura do ar (figuras 7 e 8) informam exatamente a quantidade de ar que está sendo admitido no motor, indicando :ainda o da temperatura, qual a densidade, ou seja, se há coerência entre ambos.

Senai Automotivo
A Escola SENAI Conde José Vicente de Azevedo, instalada no bairro Ipiranga, em São Paulo, há 40 anos, iniciou suas atividades oferecendo programações regulares de curso de aprendizagem industrial e cursos de qualificação para adultos, especialmente em ocupações na área automobilística.
Em meados de 1990, consolidou sua vocação para atuar na área automobilística e hoje oferece cursos específicos aos profissionais das concessionárias, das oficinas independentes ou que queiram ingressar no mercado de trabalho. Entre os cursos estão: Repintura Automotiva e Retoques, Sistema de Acessórios, Conforto e Segurança, Sistema de Alimentação de Combustível, Sistema de Alimentação, Ignição e Injeção Eletrônica, Sistema de Freio Hidráulico, Sistema de Freio Pneumático, Sistema de Injeção Eletrônica Diesel, Sistema de Injeção Eletrônica Diesel Common Rail, Sistema de Sinalização e Iluminação, Sistema de Som Automotivo – Básico, Sistema de Suspensão e Direção, Partida, Sonorização Automotiva - Especialização, Transmissão Automática, Substituição de Peças de Funilaria, Fundamentos de Pintura Automotiva, Colorimetria na Pintura Automotiva, Polimento e Cristalização.

Para mais informações: Fone: (11) 6166-1988 / e-mail: atendimento113@sp.senai.br / site: www.sp.senai.br/automobilistica

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