Matéria da edição Nº186 - Agosto de 2006
Texto: Pedro Franco
Foto: Jamil Ismail
Fit é resistente e traz mecânica diferenciada
Há apenas três anos no mercado, o Honda Fit já freqüenta a oficina independente

Lançado no Brasil em 2003, o Honda Fit (seu nome é o mesmo nos Estados Unidos, mas muda para Jazz na Europa) logo se firmou como sucesso da marca japonesa no País. Produzido na unidade da montadora em Sumaré, SP, o monovolume estreou com motor de 1.4 de 80 cv e ganhou a versão 1.5 de 16 válvulas e 105 cv dois anos depois (no logotipo do carro, o pingo da letra "i" é grafado em vermelho no 1.4 e em azul no 1.5).
Há um ano, o Oficina Brasil fez a análise de um modelo 1.5 para mostrar as mudanças em detalhes. Com garantia de dois anos – o novo Civic possui três anos –, o Fit não é muito conhecido pelos reparadores. Pode ter o tradicional câmbio manual ou o sofisticado CVT (Continuously Variable Transmission, ou transmissão continuamente variável), que dispensa as engrenagens e usa uma correia com duas polias de larguras variáveis.

Em breve, porém, os proprietários do modelo começarão a migrar para as reparadoras independentes, fato usual quando os veículos saem da garantia. Para adiantar os futuros problemas e apontar as soluções, analisamos um Fit 1.4 LXL com 60.000 km.
É interessante observar que a Avaliação do Reparador entra agora em uma nova fase. Contando sempre com o apoio do engenheiro Paulo Aguiar, responsável pela avaliação, a seção passa a ter mais colaboradores. Juntos, eles analisarão os dados colhidos e acrescentarão informações obtidas em suas oficinas, o que proporciona uma interessante troca de experiências para julgamento mais criterioso e apontamento mais eficaz das causas e soluções para determinados problemas. Acompanhe o novo formato.

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Motor
A poluição, portanto, era 18 vezes maior que o limite, mesmo com o funcionamento do motor aparentemente normal.
Após a limpeza e a equalização dos bicos injetores (a remoção da flauta é complicada e exige a retirada do coletor de admissão, feito de plástico), as velas com eletrodos gastos foram substituídas por um jogo Bosch FR7DCX (a folga dos eletrodos deve ficar entre 1 mm e 1,1 mm).
Com isso, o índice de poluente caiu para apenas 0,01%, ou 10 vezes menos do que o máximo permitido. Detalhe: há duas sondas lambdas. Uma fica antes e outra depois do catalisador. Graças a esse sistema, a injeção eletrônica tem parâmetros mais precisos.
Aqui vale outra dica importante para o reparador: como em alguns carros da Alfa Romeo, que tem o chamado sistema "Twin Spark" (dupla faísca), o Fit conta com duas velas por cilindro, em um total de oito. "Já recebi carros com quatro velas trocadas e quatro não substituídas na minha oficina", conta o colaborador Washington Mariano, da Washington Motors. As bobinas são integradas aos cabos de vela.
Verificada a pressão da bomba de combustível, era de 3,4 bar, estava dentro da norma, que exige valor entre 3 bar e 3,5 bar. Localizado dentro do tanque de combustível, que fica em um espaço intermediário entre os bancos dianteiros e traseiros na parte inferior, o filtro de combustível é de difícil acesso e exige que o console seja desmontado para que se tenha acesso ao reservatório de gasolina.

Outra forma de realizar a tarefa é descendo a peça. Modelos equipados com câmbio CVT devem ter o fluido de transmissão trocado a cada 60.000 km, de acordo com a Honda. Caso esse serviço não seja efetuado, os problemas podem ser sérios. "Com 120.000 km, o Fit de um cliente apresentou problemas no câmbio automático e o conserto ficou muito caro", conta Cláudio Cobeio, da Cobeio Car. A troca exige 3,2 litros do lubrificante ATFZ1. No desmonte, são necessários seis litros.

Freios
A troca do fluido de freio também foi realizada. Nesse caso, vale um importante aviso ao reparador: é recomendável usar apenas o óleo indicado pela Honda (DOT3), já que outros tipos e marcas diferentes da indicada pelo manual do proprietário podem causar problemas no cilindro mestre. "Se houver muita umidade no sistema, o óleo pode vazar pelos cilindros de roda traseiros", esclarece Washington Mariano.
A suspensão do Fit não apresentou problemas nas bandejas, pivôs ou terminais. Apenas os amortecedores, que nunca haviam sido trocados, foram substituídos, já que o carro tinha usado as peças durante todos os 60 mil quilômetros percorridos.

De acordo com o dono do carro, havia forte ruído na hora da frenagem. Quando desmontado, o sistema de freios mostrou pastilhas relativamente novas, mas discos com espessura muito reduzida – eles nunca haviam sido trocados. Para corrigir o problema, foi necessária a substituição de pastilhas e discos.
A sobrecarga pode ter sido um dos fatores que ocasionaram o desgaste prematuro. "Não basta apenas regular o freio dianteiro. É dever do reparador verificar também a regulagem das lonas traseiras para que não haja acúmulo de trabalho na frente e conseqüente desgaste excessivo", explica Paulo Aguiar. Equipado com o propulsor 1.4 L13A4, o Fit dispensa a correia dentada e usa corrente (de acordo com a marca, é recomendável verificar a peça, mas a troca não é necessária, já que a vida útil dela é a mesma do propulsor). Ressecada, a correia poli V que movimenta o alternador, o ar-condicionado e a bomba de água foi trocada.
A Honda recomenda que a folga das válvulas seja checada a cada 40.000 km. Para que isso seja feito, o motor deve estar em temperaturas inferiores a 38ºC. Nas válvulas de admissão, a folga indicada é de 0,15 mm a 0,19 mm. Nas de escape, deve estar entre 0,26 mm e 0,30 mm.
Após a troca de óleo (o lubrificante recomendado pelo fabricante é o 10W30SL, que deve ser substituído a cada 5.000 km em condições severas, como o trânsito de grandes capitais, e 10.000 km rodando em estradas e situações que não exigem muito esforço do motor), o problema de alto consumo reclamado por Alexandre Guimarães, proprietário do modelo, foi checado e resolvido.
O Fit estava emitindo 1,8% de CO (monóxido de carbono), quando o recomendado é que ele jogue na atmosfera, no máximo, 0,1% de CO.

Direto do Paredão, a opinião de outros reparadores sobre o Honda Fit 1.4

"Como todo carro da Honda, ele tem uma mecânica peculiar. Dos carros que já trabalhei até agora foi necessário fazer somente a Manutenção Preventiva, que para o cliente, não teve um custo alto"
José Luís

 "Trata-se de um modelo bem confortável e aparentemente sem muita manutenção. Por ser um carro de pouca circulação na região Sul, não é comum a manuteção em oficinas não-autorizadas"
Vagner Luís

 "O Honda Fit é um excelente veículo,muito confortável e a tecnologia empregada neste veículo é fascinante. É uma pena que a manutenção dele esta mais concentrada na rede autorizada"
Emerson

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O próximo teste será com o Fiat Brava 1.6 16V .Entre no Dúvidas e Soluções Técnicas no site do Oficina Brasil (Clique Aqui). Escreva suas críticas e sugestões sobre este modelo. Participe. Sua opinião poderá sair publicada no jornal.

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