Matéria da edição Nº100 - Junho/1999
Texto: Válter Ravagnani
Unidade de Comando Eletrônico (UCE) - parte1
Considerada o cérebro da injeção eletrônica, a UCE monitora e controla o funcionamento do sistema. A introdução desse componente na eletrônica automotiva marcou o surgimento de uma nova era no setor de reparação. A partir deste mês comentaremos os detalhes desse sofisticado componente.
    

Para controlar o motor mantendo o desempenho e o rendimento em níveis ótimos, a unidade de comando eletrônico coleta informações de diversos componentes/sensores estrategicamente instalados. Com esses dados, calcula o tempo de injeção (tempo de abertura das válvulas injetoras) e o ângulo de avanço de ignição para cada regime de trabalho do motor.

Ao ser ligada a chave de ignição (sem dar partida), a UCE é alimentada, acende a lâmpada de diagnóstico (nota 1) e aciona (nota 2), por alguns segundos, a bomba elétrica de combustível, com o objetivo de pressurizar o sistema de alimentação.

Nesse mesmo instante, envia uma tensão de aproximadamente 5 volts VDC para a maioria dos sensores do sistema e passa a receber o sinal característico de cada um deles (temperatura da água, pressão no coletor de admissão, temperatura do ar, posição da borboleta de aceleração, e outros).

Durante a partida e com o motor funcionando, recebe sinal do sensor de rotação. Enquanto captar esse sinal, a Unidade de Comando Eletrônico irá manter a bomba elétrica de combustível acionada e controlará a(s) válvula(s) injetora(s), bobina de ignição e a rotação da marcha-lenta.

Com base no sinal dos sensores, a UCE pode ainda controlar o sistema de partida a frio (veículos a álcool), o ventilador de arrefecimento (nota 3), o desligamento da embreagem do compressor do condicionador de ar, ou outros sistemas.

A maioria das unidade de comando eletrônico possuem sistema de auto-diagnóstico, por isso podem detectar diversas anomalias.

Quando isso acontece, a UCE grava um código de defeito em sua memória (nota 4), acende a lâmpada de diagnóstico e ativa o procedimento de emergência Recovery (nota 5).

Notas

01 - A lâmpada de diagnóstico não é encontrada em todos os veículos injetados. A maioria dos veículos Ford e Volkswagen não a possuem.

02 - Quando é ligada a chave de ignição, a UCE aciona a bomba elétrica de combustível por alguns segundos na maioria dos veículos. Porém em alguns modelos como Corsa MPFI, Omega 2.0, Santana Executivo, Escort XR3 2.0 i, e outros modelos, o acionamento só acontece quando é dada a partida. Portanto não é bom generalizar.

03 - O ventilador de arrefecimento é controlado na maioria dos veículos por um interruptor térmico (cebolão). Porém em veículos como Kadett EFI, Monza EFI, Ipanema EFI, S10 EFI, Blazer EFI, Corsa MPFI, Ford KA 1.0 e 1.3, Fiesta 1.0 e 1.3, o controle é realizado pela UCE.

04 - A capacidade de monitorar componentes depende da inteligência da UCE. Alguns sistemas como o Le-Jetronic (sem EZK) não apresenta auto-diagnóstico.

05 - Recovery: Procedimento utilizado pelas centrais eletrônicas (UCEs) de sistemas de injeção digitais para substituir o valor enviado pelo sensor danificado (em curto-circuito ou circuito aberto) por um valor pré-programado.

Nos sistemas Motronic MP 9.0 (Gol 1000 mi 8V) e IAW 1AVS (Gol / Parati 1000 mi 16V), por exemplo, quando a UCE detecta falha no circuito do sensor de temperatura da água-CTS (em curto-circuito ou circuito aberto), grava o código de defeito em sua memória e assume a temperatura de 100ºC como padrão. Portanto se o CTS for desligado, o veículo continuará funcionando (com um rendimento um pouco inferior) até que o proprietário leve-o a uma oficina especializada.

As dicas a seguir foram elaboradas para os veículos Kadett EFI, Monza EFI e Ipanema EFI. Para outros veículos as considerações são similares (consulte o circuito elétrico do veículo em questão). Antes de efetuar os testes, efetue o teste de carga da bateria.

Dica 1 - Como testar sistema de controle da ventoinha

No sistema Multec 700 (Kadett EFI, Monza EFI e Ipanema EFI) o acionamento do ventilador de arrefecimento (ventoinha) é controlado pela unidade de comando eletrônico - UCE. A UCE avalia a informação do sensor de temperatura da água e comanda o acionamento da ventoinha em função dessa informação. Quando o sensor informa uma temperatura de aproximadamente 100ºC, a UCE aterra o seu terminal C1 acionando o relê da velocidade alta da ventoinha.

Portanto, quando o ventilador de arrefecimento não é acionado, a origem do problema pode estar tanto no circuito da ventoinha (relê, fusível, isolamento nas conexões, falta de aterramento do eletro-ventilador) como no circuito de controle (UCE, circuito do sensor de temperatura da água). Um método para avaliar onde é a origem do problema (circuito da ventoinha ou circuito de controle) está descrito a seguir:

Quando o ventilador de arrefecimento não acionar (mesmo acima da temperatura normal de acionamento) proceda da seguinte forma:

• Desligar a ignição;

• Desconectar o conector elétrico da UCE;

• Ligar a ignição sem dar partida;

• Conectar um fio condutor ao terminal C1 da UCE (lado do chicote);

• Aterrar a extremidade livre do fio à massa;

• Ao ser aterrada a extremidade livre do fio o ventilador de arrefecimento deve acionar.

Dica 2 - Como detectar rapidamente se a UCE está queimada ou sem alimentação.

Observar se quando é ligada a ignição (sem dar partida) a lâmpada de diagnóstico - SES acende. A UCE acende a lâmpada SES aterrando o terminal A5, após ter sido totalmente alimentada.

Se com a chave de ignição ligada ela não acender, execute o procedimento a seguir:

• Desligar a ignição.

• Desconectar o conector elétrico da UCE.

• Ligar a ignição sem dar partida.

• Conectar um fio condutor ao terminal A5 (lado do chicote).

• Aterrar a extremidade livre do fio à massa.

• Ao ser aterrada a extremidade livre do fio a lâmpada de manutenção - SES deve acender.

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