Matéria da edição Nº180 - Fevereiro de 2006
Texto: Andréa Ramos
Foto: Divulgação
Os novos desafios da linha de veículos movido a diesel
Com poucas opções de informações oficiais sobre a linha diesel, o setor de reparação independente procura novas alternativas para acompanhar o desenvolvimento tecnológico. Veja quais são os caminhos e como o mercado reage às barreiras

Pelo fato das montadoras de veículos pesados não oferecerem treinamento para reparadores independentes, muitos profissionais têm procurado outras alternativas para se instruirem sobre mecânica e as constantes novidades tecnológicas embarcadas nos caminhões. Por isso os centros de treinamento especializado têm sido a solução mais eficaz para o aprendizado dos mecânicos que têm, entre a maioria da clientela, caminhoneiros autônomos.
As empresas que ministram cursos aos reparadores são credenciadas para tal tarefa. Tanto é que utilizam material didático e apostila. Trata-se de uma reciclagem profissional e atualização do que está sendo disponibilizado no mercado, explica Arli das Neves, instrutor mecatrônico.
Um exemplo é a Chektron do Brazil, que há pouco mais de uma década treinou por volta de 60 mil reparadores no Brasil e em países como Argentina, Paraguai e Uruguai. De acordo com das Neves Junior, como a Chektron é apta a dar treinamento, algumas informações são adquiridas por intermédio de redes de concessionárias autorizadas. Além disso, a empresa também investe na compra de equipamentos como motor, câmbio e sistemas de injeção para as aulas práticas.Nossa equipe, formada por engenheiros e técnicos mecatrônicos, também estuda os equipamentos abrindo-os e averiguando seu funcionamento. Unindo as informações que obtemos na prática, desenvolvemos o manual fornecido nos cursos, claro que sem sair da linha do material técnico original da montadora. Nós temos todo o trabalho de refazê-lo, inclusive para não caracterizar pirataria, revela o mecatrônico. A política das montadoras de não ministrar curso ou divulgar tecnologias aos reparadores do mercado em geral se deve ao fato de acharem incoerente os consumidores levarem os veículos em outras oficinas, já que contam com uma rede de concessionárias especializadas na manutenção dos caminhões mesmo fora da garantia. Segundo a assessoria de imprensa da Iveco, a montadora não treina reparadores independentes pois a tecnologia dos veículos implica a utilização de ferramentais e equipamentos que as oficinas do paralelo não têm. Além disso, a Iveco incentiva sua rede a praticar preços competitivos que caibam no bolso do caminhoneiro, que passa a ter acesso a serviços de qualidade e peças genuínas cobertas pela garantia da marca, explica a assessoria da Iveco.

Para Arli, essa é a cultura das empresas fabricantes de peças e das montadoras brasileiras. Constantemente ele viaja para países da Europa e Estados Unidos em busca das novidades que chegam ao mercado. Na minha visão, aqui os dados não são fornecidos por ignorância, até porque a montadora acaba perdendo se um veículo da sua marca for parar numa oficina que não tem conhecimento sobre o assunto. O caminhoneiro autônomo, maioria no Brasil, é quem mais procura os reparadores independentes. Se ele leva o caminhão para arrumar, e dali há pouco acontece um problema, não vai pensar só na oficina que é despreparada, mas também vai achar que o caminhão é um problema depois de muito tempo de uso, conclui.
O reparador Marcio Fortunato, proprietário do Auto Center Marcamdiesel, localizado em Dracena, interior de São Paulo, comenta que seu faturamento cresceu em quase 90% depois de 2000, ano em que começou a fazer cursos em centros de treinamento. Antes eu só trabalhava com caminhões antigos, porque não podia correr o risco de mexer em um veículo eletrônico sem saber o funcionamento. Cheguei a dispensar serviço para não ficar com fama de mecânico ruim. O reparador revela ainda que nos últimos cinco anos tem feito, junto com seus funcionários, uma série de cursos de atualização profissional, e por isso seu centro automotivo da cidade, com excessão das concessionárias, a trabalhar na manutenção de veículos novos. Fiz cerca de 60 cursos. Aprendi sobre o funcionamento do motor e regulagem, câmbio, e muitos outros novos sistemas. Hoje, posso agregar mais valor ao meu serviço, porque com a era dos eletrônicos há mais tecnologia e mão-de-obra, e também porque investi em todos os equipamentos utilizados para a manutenção, revela Marcio, que tem entre sua carteira de clientes de caminhoneiros autônomos a empresas com frota própria.
Para Valter Ravagnani, proprietário da Injetronic Tecnologia Automotiva, que também ministra cursos itinerantes aos reparadores independentes, o aprendizado para essa categoria é um grande desafio, pois como não disponibilizam de peças para estoque nas oficinas, tem de ter mais preparação técnica para trabalhar nos veículos. Os reparadores não têm condições de fazer um teste com uma determinada peça e se ela não funcionar ir e comprar outra, pois seria dinheiro perdido. O independente tem de ir direto ao problema. Então as aulas são organizadas em oficinas e veículo é nossa bancada de testes.
Como os profissionais que procuram esses centros têm conhecimento básico sobre mecânica, o curso dura em média de 20 a 30 horas e pode custar em média a partir de R$ 600.

Para otimizar o serviço nas oficinas:

A Cummins dispõe no mercado de equipamentos necessários para o dia-a-dia dos centros de reparação de motores a diesel. Os comercializados em suas distribuidoras são um kit de comunicação e um software para fazer diagnóstico de motores eletrônicos.
A Tecnomotor Eletrônica do Brasil conta com 70 representantes espalhados pelo País, que comercializam scanner de diagnóstico em eletrônica embarcada para veículos das linhas leve e pesado e multímetros para fazer a medição de todos os componentes do motor eletrônico. O equipamento vem acoplado com um osciloscopio para fazer testes e limpeza de válvulas injetoras; analisadores de emissão de gases e manômetro para análise de pressão de combustível. Informações: 0300 789 44 55
Na Alfatest Indústria e Comércio de Produtos Eletrônicos, o reparador encontra o scanner de diagnóstico de injeção eletrônica embarcada para caminhões, ônibus, vans e automóveis movidos a diesel; soluções de diagnóstico sem fio Wireless; termômetro digital para medir a temperatura de componentes eletrônicos e testador de baterias. São 42 distribuidores nas principais capitais. Informações no 0300 789 47 17.

Equipamentos disponíveis no mercado

A Bosch também disponibiliza no mercado equipamento para bancada de testes. O scanner diesel cargo SDC 701 é equipamento de diagnóstico para sistemas de injeção eletrônica para as marcas: Mercedes-Benz, Volvo, Scania, Volkswagen e International. Com uma nova plataforma gráfica, o scanner realiza até oito leituras simultâneas e visualizações gráficas; kit de teste de injetores common rail, aplicado na bancada de teste diesel EPS 815, que permite realizar o diagnóstico e o reparo dos injetores de veículos leves e pesados. O analisador de gases tem três modelos:
BEA 734 - é o equipamento mais completo e conta com opacímetro para análise veículos Diesel, analisador de gases (HC, CO, CO2 e O2) para gasolina, álcool e GNV (tendo também a célula de NOx como opcional), tacômetro individual, controlador serial, sistema de limpeza, software de diagnóstico, gabinete, cabos e sensores.

BEA 724 - equipamento de análise de gases (HC, CO, CO2 e O2) para gasolina, álcool e GNV. Tendo também a célula de NOx como opcional, o equipamento conta ainda com tacômetro individual, controlador serial, sistema de limpeza, software de diagnóstico, gabinete, cabos e sensores.

BEA 714 - opacímetro (para análise de veículos Diesel). O equipamento possui tacômetro individual, controlador serial, software de diagnóstico, gabinete, cabos e sensores. Mais informações pelo 0800-704-5446

O Diamand é um sistema de diagnóstico eletrônico. É como se o mecânico fosse um médico, que com a ajuda deste sistema da Delphi faz um check-up no veículo. Ele é composto por hardware mais software, sendo necessária a utilização de um computador, de preferência um laptop, para melhor manuseio e praticidade. O computador se comunica com o hardware que, por sua vez, se comunica com o veículo, ambos através de cabos. Estabelecida a comunicação no veículo, há o acesso a diversos atuadores e sensores espalhados no caminhão. É possível obter leituras em tempo real, esteja o veiculo em funcionamento ou não. Pode-se testar diversos atuadores, ter acesso a falhas passadas e presentes, pequenas alterações de configuração da ECU e outros. Além das facilidades citadas, o Diamand varre todo o sistema de eletrônica embarcada do veículo e informa todos os erros existentes automaticamente.

Retorno positivo

O jornal Oficina Brasil encerrou no mês passado, com chave de ouro, a ação de ensino a distância que recebeu o nome de Enciclopédia do Mecânico Diesel - Eletrônica Embarcada.
O trabalho consistiu na divulgação - por 12 edições ao longo de 2005 - de uma página de conteúdos técnicos sobre eletrônica embarcada em motores diesel. Colaboraram para a elaboração das matérias as empresas Bosch, Alfatest e Injetronic.

O mecanismo de avaliação na Enciclopédia do Mecânico Diesel é um recurso freqüentemente utilizado no Oficina Brasil por seus investidores, e consiste na veiculação de uma carta-resposta contendo perguntas sobre os conteúdos técnicos divulgados. O que sempre impressiona é o índice de participação. Se considerarmos nossos leitores/reparadores que atuam na linha diesel - que somam aproximadamente 20 mil - e o fato de termos recebido mais 2,5 mil cartas-resposta (provas de conhecimento) comprova-se um retorno excepcional de 12,5%.
Outro aspecto que surpreendeu a equipe do Oficina Brasil foi o alto índice de aprovação dos participantes. Para receber o certificado, o mecânico tinha de acertar no mínimo 70% das questões, consideradas bem complexas pelos técnicos que as elaboraram. Mesmo sendo difícil, 60% dos participantes alcançaram aprovação no teste, proporcionando um resultado surpreendente.

Veja algumas empresas que dispõem de cursos para reparadores independentes

• Sistema de injeção diesel Mercedes-Benz PLD/ADM Ciclo Diesel
Florianópolis e Região
Data: 24, 25 e 26 de Março de 2006. Assuntos abordados:
- Conceitos básicos de eletroeletrônica Automotiva e instrumentação (multímetro, osciloscópio e scanner automotivo).
- O sistema de injeção diesel Mercedes-Benz PLD/ADM: princípios de funcionamento, estratégias de diagnóstico, testes passo a passo de todos os componentes mecânicos e eletrônicos do sistema.
Material didático: 1 - Manual Doutor-ie PLD/ADM (módulo 27); 1 - Manual Doutor-ie Eletroeletrônica e Multímetro (módulo 1).
Mais informações na Injetronic (48) 3334-2166.

• Treinamento em caminhões eletrônicos
Assuntos abordados:
- O recondicionamento de unidades injetoras nos veículos de motorização eletrônica
Informações Chektron do Brasil (47) 3346 4237 ou (47) 9967 2247

• A Cummins do Brasil periodicamente, por meio de seus distribuidores, 22 em todo o País, oferece cursos aos reparadores independentes. As informações também podem ser obtidas por telefone: (11) 3931 2900 ou (11) 4787 4299.

Mais informações: (11) 4615 854 ou www.delphidieselsystems.com.

Veja também

Giro na Fábrica: você por dentro da Sabó.

Programa Amigo Mecânico é premiado

Como interpretar a medida do Pneu:
Comparativo
Um passo adiante
Carroçaria e Pintura
Pintura de fundo: a base de um bom trabalho

Empresa de reparação torna-se Centro de Lubrificação Elf
Notícias relacionadas