Matéria da edição Nº134 - Abril/2002
Texto: Marcos Cazassa de Mendonça
Foto: Jamil Ismail
Carroçaria
Técnicas de reparos de colisões: desamassamento.
Bate, estica, puxa, avalia, e torna a repetir tudo novamente, até obter a forma original da chapa, numa seqüência de técnica e habilidade.

Uso

Técnicas de reparos de colisões: desamassamento

Bate, estica, puxa, avalia, e torna a repetir tudo novamente, até obter a forma original da chapa, numa seqüência de técnica e habilidade.

Na edição passada informamos através deste espaço algumas dicas sobre o processo de soldagem Oxiacetilênica. Dando continuidade, vamos conhecer algumas técnicas aplicadas para desamassar uma superfície avariada.

Desamassamento manual de superfície - Analisar uma chapa amassada requer grande atenção e conhecimento do profissional da reparação, pois é uma atividade desenvolvida com poucos recursos, ou seja, não existe nenhuma ferramenta ou máquina que faz uma reparação no veículo sem a interferência humana, portanto, a habilidade do profissional é o que garante o sucesso do trabalho.
Para desamassar uma superfície são necessários cinco passos fundamentais:
1) Análise da avaria e retirada das tensões do amassado;
2) Pré-desamassamento;
3) Alinhamento;
4) Alisamento e
5) Acabamento com lixadeira.

Dica - Caso o amassado da peça esteja embaixo de uma travessa e ela não ofereça acesso em sua extremidade, o operador deve usar um soprador térmico para remover a massa de calafetação ou confeccionar um furo na estrutura interna da peça e introduzir uma espátula ou uma alavanca compatível.
A
Pré-desamassamento - É uma operação inicial que visa a restauração da peça danificada, trazendo-a o mais próximo possível de sua forma original.
Amassados em regiões com dobras ou vincos:
• Alinhar o vinco ou dobra da chapa, com auxílio de uma ferramenta (vincadeira);
• Retirar as tensões da chapa pelo contorno;
• Forçar a região amassada de dentro para fora, com auxílio de um martelo de borracha, espátula de madeira ou até mesmo utilizando as mãos.

Alinhamento de superfície - Após o pré-desamassamento, deve-se alinhar a superfície em relação ao plano e a figura que foi estampada na peça.
Nota: Como toda chapa metálica tem sua limitação quanto à resistência, deve-se tomar cuidado com a pressão exercida pelas alavancas ou espátulas, para não esticar ou romper a chapa. Outro cuidado que deve ser tomado quanto à pressão exercida é durante o rebatimento, para não esticar a chapa (flambar).

Alisamento - Esta operação consiste em remover as marcas e imperfeições deixadas pelas operações anteriores, para tanto o profissional deverá utilizar a observação visual detalhada e o contato manual.
Dica - Se necessário, use o pente de ângulo para verificação da peça reparada em relação à original.
Uso

Acabamento com lixadeira - Podem ser usadas as lixadeiras vertical, angular ou roto-orbital.
Lixadeira vertical e lixadeira angular - Antes de iniciar um serviço, é fundamental que o profissional faça uma avaliação do disco de lixa. Se estiver desgastado, deve ser substituído, pois danificará a superfície a ser trabalhada.
Atenção: Se estiver próximo de vincos ou dobras, o cuidado deve ser redobrado, pois a chapa neste ponto está mais fina (devido ao repuxo da estamparia) e pode ser perfurada.
Dicas importantes:
• Ângulo de ataque é de 10º a 15º em relação à chapa.
• Contato do disco deve ser de 2,5cm (25mm).
• A entrada e a saída do disco da lixadeira em relação à chapa devem ser suaves.
Dividir o disco em quatro partes iguais e aplicar apenas uma delas no ângulo recomendado.

Observação
: A aplicação correta da lixadeira angular evitará cortes de lixa na chapa.
Lixadeira roto-orbital - A finalidade da lixadeira roto-orbital é remover os riscos deixados pela lixadeira angular e lima flexível (lima de funileiro). Recomenda-se encostar, durante a utilização, toda face do disco na região a ser trabalhada. Só então se deve ligar a máquina com movimentos circulares.

Quando utilizar cada uma das três operações - lima flexível, lixadeira angular e lixadeira roto-orbital?
Esta seqüência depende da profundidade dos riscos da lima ou cortes da lixa na superfície da chapa. O reparador deve preocupar-se com isto desde o primeiro contato com a peça.
A operação com a lixadeira angular em algumas peças é dispensada, por exemplo, em pequenos caroços ou amassados. São regiões pequenas e o contato da lima é leve, dificilmente ocorrem riscos profundos. Nesta situação, aplica-se como segunda etapa a lixadeira roto-orbital, para remover pequenos riscos da lima.
Em pequenas áreas de trabalho, aplica-se um ângulo de 10º a 15º entre a lixadeira e a peça. Podem surgir, nessa operação, riscos na chapa, causados por granulação inadequada do disco ou força excessiva na aplicação da lixadeira.
Recomenda-se a granulação Nº 60 do disco da lixadeira orbital, para retirar os cortes deixados na chapa pela lixadeira angular. Quando a profundidade dos riscos deixados pela lixadeira angular for pequena, utilize um disco com granulação Nº 80 na lixadeira roto-orbital.

Desamassamento com máquina de repuxar chapas - A máquina de repuxar chapas foi criada para desamassar chapas metálicas (ferrosas), com agilidade e rapidez, em pontos da carroçaria onde não existe acesso para introduzir uma ferramenta, como colunas, portas, laterais e outras áreas.
Por exemplo, a reparação das colunas do pára-brisa de um veículo que sofreu pequenas deformações sem, contudo, ter ocorrido a quebra do vidro. Nesse caso, não é necessária a remoção do vidro para a reparação, isso porque podemos utilizar a máquina elétrica de repuxar chapas, que é desenvolvida para reparação da mesma sem a necessidade de desguarnecer a parte interna do veículo (tapeçaria) e sem a desmontagem de acessórios.
A máquina de repuxar chapas utiliza como fonte de calor a energia elétrica. A seguir, alguns cuidados que devem ser tomados quando o equipamento for utilizado:
• Os dois parâmetros a serem regulados são o tempo e a potência.
• A superfície da chapa deve ficar isenta de tinta e de qualquer substância oleosa.
• Para fixar o cabo massa (terra), é necessário deixar a chapa nua para obter uma boa fixação, e não fixá-lo com uma distância maior que 30 cm - quanto maior a distância de aplicação menor será a resistência elétrica.
• Após a colocação do cabo terra, selecione o acessório ideal para a reparação (arruela, ponteira para repuxo fino de uma ou três pontas, ou outro).
• Em seguida, encoste o acessório na superfície já preparada e acione o gatilho para fixar o dispositivo no ponto avariado. Neste momento, a chapa receberá um impacto do martelo de inércia, que será acionado pelo reparador.
• Devemos nos preocupar para que o ponto no qual está sendo aplicada a força não seja repuxado acima do alinhamento da superfície.
• Podem ser dados tantos pontos de repuxo quantos forem necessários para obter a superfície plana. Como recomendação, não devemos aplicar o ponto sobre um outro ponto já aplicado.

Atenção: Errata sobre espessura de chapa para confecção dos veículos - Na matéria anterior foi publicado erroneamente a espessura da chapa entre 0,75 à 0,88 mm. O correto é 0,75 à 0,80 mm.


Esta matéria foi elaborada pelo instrutor de funilaria automobilística
Marcos Cazassa de Mendonça, da Escola Senai “Conde José Vicentede Azevedo”

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